Postado em 02 de Outubro às 08h39

“O empreendedor precisa ser polivalente”

Negócios (13)

O olhar apurado para os negócios e a firmeza na gestão são características que o presidente do Grupo Servioeste leva para a vida. Doacyr Balbinot é filho de agricultores, foi mecânico e venceu os desafios do mundo dos negócios com muito planejamento. À frente da Servioeste, há 20 anos, ele multiplicou oportunidades, viu os empreendimentos decolarem e pensa até hoje com entusiasmo num futuro ainda mais promissor.

Revista Servioeste: O senhor acreditou e ajudou a construir o mercado dos resíduos de serviços de saúde, mas enfrentou muita resistência. A que o senhor atribui isso?

Doacyr Balbinot: É difícil mudar a cultura, mas faltava boa vontade de muitos governantes e até dos próprios órgãos para criar uma legislação específica para os resíduos de serviços de saúde e fazer com que ela fosse cumprida. Em muitos casos a gente venceu no cansaço, pois foram anos buscando apoio de entidades e órgãos públicos para que houvesse esse cuidado com o meio ambiente. Pra se ter uma ideia, mesmo as legislações já estando em vigor, a justiça precisou determinar que algumas prefeituras contratassem uma empresa para fazer a coleta e destinação deste tipo de resíduo.

RS: Como foi ser pioneiro numa área que até então não tinha sido desbravada?

DB: Um grande desafio, mas eu sabia que daria certo. Um país em desenvolvimento precisa se organizar quanto à sua sustentabilidade e ainda há muito o que se fazer no Brasil neste ramo.

RS: Isso significa que há outros horizontes em vista?

DB: Sem dúvida! A produção de energia limpa é um grande mercado a se desbravar e já estamos caminhando pra isso, com grandes perspectivas. Como exemplo, no Rio de Janeiro temos um projeto piloto dentro do Aeroporto RIOgaleão e outro, em parceria com uma grande universidade, voltados à transformação de resíduos em energia. Estamos participando de um projeto inovador relacionado a um polo tecnológico marítimo, constituído por grandes empresas e instituições que desenvolverão projetos voltados à comunidade. Estou sempre na linha de frente observando o mercado e buscando oportunidades. A Servioeste foi a primeira e abriu as portas para a constituição de um grande e forte grupo de empresas em vários setores, mas nosso foco principal continua sendo a sustentabilidade.

RS: A legislação continua sendo um desafio para o setor ambiental no Brasil?

DB: O Brasil avançou e está muito bem em termos de legislação. O que falta é o cumprimento das regras e a maior fiscalização pelo poder público. É uma questão cultural do nosso país. Em termos de licenciamento ambiental, o Brasil precisa pensar em medidas de flexibilização e desburocratização, com responsabilidade, além do fortalecimento dos órgãos ambientais. Com tantos avanços tecnológicos, não dá para admitir que uma licença leve sete ou oito anos para ser concedida.

RS: O mercado internacional está nos planos?

DB: Não podemos fechar os olhos para o mercado externo, aliás, no Paraguai por exemplo, nós apresentamos um projeto que serviu como base para definir a legislação vigente referente ao gerenciamento de resíduos de saúde. O que existe hoje lá está baseado no nosso projeto. O que ainda não funciona bem por lá é a aplicação das regras. No fim dos anos 2000, eu negociei direto com o então presidente, Fernando Lugo, mas o governo acabou não comprando nosso projeto, mas aproveitou muita coisa. Tem grandes mercados abertos não só no Paraguai, mas em muitos outros países.

RS: Como o senhor enxerga a concorrência?

DB: Tem lugar pra todo mundo no mercado. As oportunidades estão aí, é só aproveitar. A Servioeste foi pioneira no tratamento de resíduos de serviços de saúde, mas em muitos locais onde ajudamos a constituir a legislação, hoje nem atuamos mais e o mercado foi ocupado por outras empresas, enquanto que nós avançamos para outros setores constituindo o Grupo Servioeste. Inclusive, fui eu que criei a Associação Nacional das Empresas de Tratamento de Resíduos de Saúde (Assetress). Enquanto alguns se incomodavam com a concorrência, eu entendi que era preciso fortalecer o setor.

RS: Qual conceito o senhor acha mais importante para o empreendedor alcançar o sucesso?

DB: Acredito que a resposta depende muito da ambição pessoal, de onde cada um quer chegar. A minha filosofia é a de que você pode ser o que quiser, se você acredita e se esforça para tal. O empreendedor de sucesso é aquele que diz: ‘eu crio o meu futuro’, não o que espera que o futuro chegue até ele.

RS: O que o senhor considera mais importante no mundo dos negócios?

DB: Visão, muito planejamento e persistência. É preciso saber onde quer chegar e definir como fará para chegar, porque se a gente planejar não tem erro. O empreendedor precisa ser polivalente, aberto ao novo, enxergar as oportunidades e ter uma boa equipe técnica de apoio. Para ter sucesso na vida empresarial é preciso ter visão de grandeza e firmeza nas decisões!

RS: Qual é o seu maior legado?

DB: Honestidade, foco, persistência e transparência. Tento passar isso para os meus filhos todos os dias. Se você for honesto não ficará preso a ninguém, se tiver foco fica mais fácil definir as estratégias, inclusive se tiver que mudar sua prioridade, porque elas vão mudando naturalmente com o passar do tempo. E por fim, a persistência nunca pode morrer. Críticas e dificuldades virão, o desânimo também, mas seu objetivo tem que prevalecer.
 

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