Postado em 25 de Janeiro às 09h50

Servioeste Canoas

Negócios (21)

Unidade recebe destaque por desempenho

Deivid Oliveira, Diretor Operacional do Grupo Servioeste, esteve durante dois dias na Servioeste Canoas, importante unidade de coleta e tratamento do Grupo. O propósito do trabalho in loco foi discutir questões operacionais e novos projetos.

No período da visita, a Servioeste Canoas recebeu da Unimed Vale do Taquari e Rio Pardo, comunicado de avaliação de desempenho de fornecedores, destacando a qualidade dos serviços prestados. 


Postado em 21 de Janeiro às 09h04

Manifesto de Transporte de Resíduos

Meio Ambiente (80)

Emissão online torna-se obrigatória

O Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) é uma ferramenta de gestão auto declaratória de implantação e operacionalização do Plano de Gerenciamento de Resíduos (PGR), emitido pelo Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos (SINIR).

A partir de 2021, o Ministério dos Transportes instituiu a obrigatoriedade de emissão online do MTR Nacional, conforme portaria nº 280/2020.

Os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro já possuem sistemas próprios de emissão digital do MTR por meio dos seus órgãos ambientais estaduais IMA, FEPAM, FEAM e INEA.

A virtualização do MTR permite rastrear a massa de resíduos, controlando a geração, armazenamento temporário, transporte e destinação final dos resíduos sólidos no Brasil, sistematizando e consolidando o gerenciamento de resíduos com mais rapidez.

O que muda com a obrigatoriedade

A partir de janeiro deste ano, a emissão do MTR passou a ser obrigatória e virtual, através do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR). Anteriormente, a emissão era voluntária e realizada de modo físico (em três vias).

Com a sistematização, espera-se uma maior agilidade e consolidação rápida da massa de resíduos circulantes no território nacional, esclarece Caroline Beutler, Engenheira Ambiental e Sanitarista da Servioeste.

Como funciona

O gerador deve realizar o cadastramento no site do SINIR e depois gerar um Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), de acordo com a geração dos resíduos para aquela coleta, indicando quem será o transportador e destinador dos resíduos.

Este documento é gerado exclusivamente pelo gerador, que deverá acompanhar o transporte do resíduo até a destinação final ambientalmente adequada.

Após a chegada do resíduo no destinador, o MTR deve ser recebido pelo destinador em seu cadastro, a fim de validar as informações do MTR emitido e confirmar que os resíduos realmente foram recebidos.

“A emissão do MTR é de extrema importância, pois é a garantia de que o gerador está dando a destinação adequada para o resíduo, lembrando que a responsabilidade pelo resíduo é de quem o gera. A digitalização possibilita que os órgãos ambientais consigam visualizar a circulação dos resíduos gerados no estado e no Brasil de uma maneira rápida e ágil”, ressalta Caroline Beutler.

Outras informações

https://sinir.gov.br/component/content/article/66-legislacao/482-mtr-faq

https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-n-5.848-de-25-de-junho-de-2019-173020360


Postado em 16 de Dezembro de 2020 às 09h08

Infecção por príons

Meio Ambiente (80)

Resíduos biológicos contaminados exigem tratamento específico e disposição final adequada

Príons são estruturas proteicas que, quando alteradas de modo anormal, tornam-se agentes causadores de doenças. Os príons são muito menores do que os vírus e diferentes destes, das bactérias e de todas as células vivas.

Por não conter material genético, desperta curiosidade da comunidade científica, assim como o fato de equipamentos contaminados por príons permanecerem com altíssimo potencial de infectividade, por longos períodos, mesmo depois de processos de esterilização.

Na década de 1960, dois pesquisadores desenvolveram a hipótese de que as encefalopatias espongiformes transmissíveis eram causadas por um agente infeccioso constituído unicamente por proteína. Stanlley Prusiner cunhou o termo príon nos anos 1980.

Doenças causadas por príons foram observadas primeiramente em ovelhas. No início daquela década, produtos derivados de animais (ovelha e gado) infectados foram introduzidos na alimentação do gado, principalmente no Reino Unido. Centenas de milhares de bovinos desenvolveram encefalopatia espongiforme (EEB), popularmente conhecida como doença-da-vaca-louca, que afetava o sistema nervoso dos bovinos.

Apesar da exposição, poucos seres humanos que se alimentaram da carne de gado contaminada desenvolveram doença priônica, relata Pierluigi Gambetti, pesquisador da Faculdade de Medicina da Case Western Reserve University (EUA), especialista no assunto.

Maria Cristina Nonato, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), destaca que os príons, na sua forma infectiva, podem ser encontrados em solos onde existe gado ou ovelhas doentes. A contaminação dos solos é sim uma forma já observada e bem caracterizada de transmissão dentro desses sistemas.

Encefalopatias espongiformes

São raras as doenças causadas por príons em seres humanos, contudo são degenerativas, progressivas, fatais e, atualmente, não tratáveis, acometendo sobretudo o sistema nervoso central.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) caracteriza príon como estrutura proteica alterada, relacionada como agente etiológico (causador de doenças) das diversas formas de encefalite espongiforme, como a Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD).

Telma Abdalla, pesquisadora da Fiocruz, em artigo científico, relata que “as encefalopatias espongiformes transmissíveis (EET) são doenças neurodegenerativas, causadas por um agente infeccioso desprovido de material genético, composto por elementos proteicos, altamente estáveis e resistentes aos processos de descontaminação utilizados rotineiramente nos serviços de saúde e assim representam riscos à saúde pública.”

As enfermidades Creutzfeldt-Jakob (CJD) e Gerstmann-Sträussler-Scheinker (GSSD) são doenças priônicas, nas quais a demência é uma parte importante do quadro clínico. Antes da identificação dos príons, pensava-se que as encefalopatias espongiformes eram causadas por vírus. A Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD) tem como causas: mutações eventuais (casos esporádicos); mutações prévias que passam a ser transmitidas geneticamente (familiar); iatrogênica – infecção por material cirúrgico contaminado, transplante de dura-máter e córnea, utilização de hormônio de crescimento cadavérico).

Em 2005, o Ministério da Saúde obrigou o sistema de saúde a notificar casos de Doença de Creutzfeldt-Jakob. “As doenças priônicas têm períodos de incubação longos, e como não são doenças clinicamente identificáveis, a propagação das infecções por príons em seres humanos é um desafio à saúde pública. Deve-se ter em conta que o potencial infeccioso dos diferentes tecidos e órgãos dos pacientes com EET varia desde muito alto até muito baixo ou indetectável. Dessa forma, os príons são encontrados com maior frequência e concentração no sistema nervoso central, especificamente cérebro e medula espinhal, e retina/nervo ótico. Como são agentes cujo período de incubação é muito longo, o estudo retrospectivo de determinação da transmissão ocupacional da doença é dificultado. Apesar disso, existem estudos sobre os relatos de casos da doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica entre profissionais da saúde”, relata Telma Abdalla, da Fiocruz.

Infectividade em humanos

Doenças priônicas transmitidas de maneira infecciosa são ainda mais raras. Elas podem ocorrer:

- por meio de canibalismo (como na Kuru);
- de animal para pessoa: via ingestão de carne bovina contaminada (como na CJD);
- de pessoa para pessoa: forma iatrogênica.

Segundo a Divisão de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE), a forma iatrogênica de transmissão da Doença de Creutzfeldt-Jakob é ocasionada pela utilização de instrumentos cirúrgicos contaminados, durante procedimentos neurocirúrgicos, eletrodos cerebrais profundos, transplante de órgãos e tecidos.

Resistência

Cristina Nonato cita relato científico segundo o qual um “instrumento cirúrgico utilizado em paciente com doença priônica, mesmo depois de higienizado, foi usado em dois pacientes e ambos adoeceram. Dois anos mais tarde, o mesmo instrumento foi testado em chipanzé e o animal também adoeceu, demonstrando o poder de infectividade e resistência dos príons.”

“Os príons facilmente se ligam a plástico ou metal sem perder a infectividade e não são eliminados por métodos tradicionais de descontaminação. São resistentes à alta temperatura e radiação”, ressalta Maria Cristina Nonato.

Pierluigi Gambetti, pesquisador norte-americano, confirma que os príons sobrevivem às técnicas de antissepsia padrão, como autoclavagem, e representam um risco para outros pacientes e cirurgiões, enfermeiros e técnicos.

Gambetti ressalta que a transmissão pode ser prevenida tomando precauções ao manipular tecidos infectados e usando técnicas apropriadas para limpar os instrumentos contaminados. Recomenda-se a autoclavagem a vapor a 132°C durante 1 hora e a imersão em hidróxido de sódio 1 N (normal) ou 10% de solução de hipoclorito de sódio durante 1 hora.

Seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde para o controle da encefalopatia espongiforme transmissível, a Anvisa (RDC 222/2018) classifica órgãos, tecidos e fluidos orgânicos de alta infectividade para príons, de casos suspeitos ou confirmados, bem como quaisquer materiais resultantes da atenção à saúde de indivíduos ou animais, suspeitos ou confirmados, no chamado “Grupo A5”. Todos estes resíduos devem ser encaminhados para tratamento por incineração.


Postado em 24 de Novembro de 2020 às 09h56

Tratamentos de Resíduos de Serviços de Saúde

Negócios (21)

Tipologia, características e níveis de periculosidade determinam tratamento

O tratamento de resíduos consiste na aplicação de método, técnica e/ou processo para desativar os riscos químicos e biológicos de materiais contaminados, de acordo com os padrões exigidos pelos órgãos reguladores (Anvisa e Conama), eliminando ou reduzindo a possibilidade de contaminação, acidentes ocupacionais e danos ambientais.

Existem diferentes tipos de tratamentos de resíduos de saúde. Qualquer tecnologia de tratamento (térmica, química ou por radiação) deve ocorrer em condições técnicas de forma a garantir segurança, evitar prejuízos à saúde, ao meio ambiente e atender aos padrões estabelecidos pelos órgãos de controle ambiental

A definição técnica pelo tipo de tratamento adequado passa pelo conhecimento da tipologia do resíduo, suas características e níveis de periculosidade especificados em normativas.


 

Conheça alguns tipos comerciais de tratamentos de RSS

Autoclavagem: este tipo de tratamento efetua a desinfecção dos resíduos através da aplicação de vapor saturado, no interior de uma câmara estanque, sem a presença de oxigênio, sob pressão superior a pressão atmosférica, cerca de 2,5 kgf/cm². Os resíduos são esterilizados a temperatura de 140ºC. O efluente (líquido) resultante do processo é enviado para estação de tratamento de efluentes. Os resíduos esterilizados devem ser depositados em aterro para resíduos Classe II devidamente licenciado.

Incineração: o tratamento por incineração consiste na destruição térmica realizada em incineradores sob alta temperatura (800 a 1200º) e fornece destruição quase completa do volume inicial. A técnica é utilizada em resíduos de alta periculosidade, ou que necessitam de destruição completa e segura. O resíduo proveniente deste processo é apena cinzas, já caracterizadas como resíduo classe II.

Microondas: é uma tecnologia de tratamento térmico a temperaturas que variam entre 95 e 105ºC, com vibrações eletromagnéticas de alta frequência, promovendo a desinfecção dos resíduos. São específicos para resíduos dos grupos A1, A2, A4 e E. As ondas eletromagnéticas de alta frequência eliminam organismos microbiológicos. Este sistema também promove a descaracterização e a redução do volume dos resíduos tratados. Os resíduos devem ser submetidos a processo de trituração e umidificação. Este tratamento não gera emissão de gases, efluentes líquidos, odor ou ruído prejudiciais ao meio ambiente, e não utiliza produtos químicos no processo de desinfecção. Os resíduos esterilizados devem ser depositados em aterro para resíduos Classe II devidamente licenciado.

Pirólise: caracteriza-se pela degradação térmica dos resíduos em atmosfera deficiente de oxigênio, capaz de estabilizar as características físico-químicas e biológicas dos resíduos, reduzindo o volume final do material. Os gases decorrentes do processo devem passar por tratamento de antes de serem emitidos na atmosfera. A técnica apresenta o potencial de geração de energia na forma de combustíveis.

Plasma (ou Tocha de plasma): considerado um dos estados da matéria, o plasma é basicamente um gás ionizado. O tratamento por plasma consiste em transformar os resíduos em gás e posteriormente em plasma, num sistema fechado e isolado. A tecnologia requer alto consumo de energia, portanto tem custo bastante elevado.

Gaseificação: A gaseificação pode ser definida como a oxidação parcial de material carbonáceo sólido ou semissólido (biomassa, resíduos, carvão, etc.), em temperatura mediana e pressão variável, por reação com um agente gaseificante (ar, vapor d’água ou gás carbônico). O produto principal da gaseificação é um gás combustível (potência térmica ou elétrica).

Aquecimento por óleo térmico: Ocorre por transferência de calor. O método possibilita a descaracterização e redução do volume do resíduo, com pequeno aumento do teor de umidade e do peso. Não emite gases tóxicos e efluentes líquidos, mas necessita de mão de obra especializada para operação e manutenção.

Ionização ou Radiação: Consiste em destruir os agentes patológicos presentes nos resíduos mediante sua exposição a radiações ionizantes. Deve-se realizar a trituração preliminar para melhorar a eficiência do procedimento. O um processo requer conhecimento tecnológico especializado e necessita de estruturas físicas adequadas. 


Postado em 12 de Novembro de 2020 às 08h56

Servioeste doa testes rápidos de Covid-19

Inspiração (17)

Esta e outras doações foram realizadas visando auxiliar no controle da pandemia

Doacyr Balbinot, Presidente do Grupo Servioeste, entregou dois mil testes rápidos para diagnóstico do novo coronavírus à Prefeitura de Canoas, no Rio Grande do Sul. O material foi recebido pelo Secretário Municipal de Saúde, Fernando Ritter.

Em vídeo, o secretário agradeceu o gesto e ressaltou a importância dos kits para testagem em massa e na prevenção de novos casos no município. 

A Servioeste está presente em sete estados brasileiros com soluções para tratamento de resíduos de serviços de saúde e resíduos industriais, tendo a matriz em Chapecó – SC e outras nove unidades que atendem aos estados do Sul e Sudeste. Uma dessas unidades está implantada no bairro São Luiz, município de Canoas, que atende toda a região metropolitana de Porto Alegre, além de municípios da Serra e do Sul do Rio Grande do Sul.


Postado em 06 de Novembro de 2020 às 15h37

Doacyr Balbinot condecorado pela Fundação Rotary

Companheiro Paul Harris

Presidente do Grupo Servioeste, Doacyr Balbinot, recebe nova distinção do Rotary Club de Volta Redonda (RJ), renovando sua responsabilidade social no programa Empresa Cidadã.

O reconhecimento Companheiro Paul Harris, maior honraria de um Clube de Rotary, homenageia pessoas e empresas que contribuem com o Rotary para o desenvolvimento de ações sociais e humanitárias em todo o mundo.


Postado em 27 de Outubro de 2020 às 11h11

Agrotóxico Paraquate é proibido no Brasil

Considerado resíduo perigoso, produto deve ter destinação final adequada

As discussões sobre o uso do herbicida Paraquate ou Dicloreto de Paraquate no combate a plantas daninhas vêm de longa data e envolvem muitas divergências quanto aos riscos para a saúde dos trabalhadores responsáveis pelo manuseio do produto. Não haveria indícios de que o herbicida deixe resíduo nos alimentos.

O agente tem classificação toxicológica Categoria 1 – Produto Extremamente Tóxico. A Anvisa considera que há evidências suficientes da “toxicidade aguda do Paraquate” e sua relação com a doença de Parkinson.

Desde 22 de setembro de 2020, importação, produção, distribuição e comercialização de produtos à base de Paraquate estão proibidas no Brasil por decisão da Anvisa, conforme previa normativa de 2017 (RDC 177 ANVISA).

O Paraquate já foi banido da União Europeia e países asiáticos, incluindo aqueles que o produzem para exportação, como a China. A substância é usada em países como Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia.

Claud Goelner, agrônomo, mestre em fitotecnia e consultor na área de toxicologia, argumenta que o Paraquate é vital para o plantio direto e como dessecante. “É seguro ao homem e ao ambiente. Entrou no mercado mundial em 1954 e os casos de intoxicação por Paraquate estão relacionados ao suicídio. Estudos demonstram que à medida que a intoxicação por tentativa de suicídio aumenta, a intoxicação de quem aplica no campo está diminuindo. Isso mostra que o problema não está na aplicação dos produtos”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que 20% dos suicídios no mundo ocorrem por auto-envenenamento com pesticidas. 

Matheus Mazon Fraga, engenheiro agrônomo e gestor da Divisão de Fiscalização de Insumos Agrícolas da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), destaca que o Paraquate estava entre os cinco ingredientes ativos mais utilizados em Santa Catarina para controle de plantas daninhas, no manejo do plantio direto e na dessecação pré-colheita, em culturas como soja, milho, trigo, batata, maçã e arroz. “Apesar de ser importante no manejo técnico das culturas, o risco que impõe aos trabalhadores não pode ser desconsiderado, principalmente o que foi apontado pela Anvisa quanto às características mutagênicas”.

Segundo a Cidasc, cerca de 200 mil propriedades rurais utilizam o herbicida em Santa Catarina.

Alternativas ao Paraquate

O Paraquate não é o primeiro agrotóxico banido no Brasil. Também há outros agrotóxicos em reavaliação e que podem virem a ser proibidos. O agronegócio teve tempo para se adequar à nova realidade e buscar soluções. As discussões antecedem 2017, momento da decisão sobre o banimento no prazo de três anos. O setor reclama, justificando que agroquímicos alternativos são financeiramente menos vantajosos, principalmente, aos pequenos e médios agricultores.

Projetos tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado Federal com o objetivo de sustar a decisão da Anvisa, sob a justificativa de que a suspensão do uso do produto será prejudicial para o agronegócio nacional e que só há risco para a saúde no caso de manejo incorreto da substância, informa a Agência Senado. 

Estoques

A Anvisa decidiu que os estoques remanescentes de produtos com ingrediente ativo Paraquate em posse dos agricultores poderão ser utilizados para o manejo dos cultivos na safra agrícola 2020/2021, tendo sido condicionado à região e à cultura, conforme calendário regional divulgado pela Anvisa (veja quadro abaixo), cujo prazo expira em 31 de julho de 2021.

As cooperativas de agricultores poderão distribuir produtos formulados à base de Paraquate, exclusivamente aos seus cooperados, até 15 (quinze) dias antes do término do prazo máximo previsto no calendário.

Seguindo orientações dos fabricantes, a utilização do defensivo deve ocorrer mediante uso de EPIs (equipamentos de proteção individual) e de tratores de cabine fechada para aplicação do agrotóxico. Anvisa estabeleceu que, no ato da compra, usuários deverão assinar termo de conhecimento de risco e de responsabilidade quanto ao uso do produto.

As Secretárias Estaduais e Distrital de Agricultura, ou órgão equivalente, serão responsáveis pela fiscalização do comércio, utilização e recolhimento dos defensivos. 

Desde 2018 a comercialização deste agrotóxico é controlada eletronicamente. Entre janeiro e novembro de 2019, o Brasil importou 65,3 mil toneladas de herbicidas com ingrediente ativo Paraquate, segundo dados de importação do Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, obtidos pelo site Brasil de Fato.

Logística Reversa 

Os fabricantes e empresas titulares de registro de produtos à base de Paraquate, sob quem recaem os custos, deverão recolher os estoques desses produtos existentes em estabelecimentos comerciais e em poder dos agricultores, até 30 (trinta) dias após o término do prazo que permite a utilização do defensivo nas respectivas cultura e região.

O transporte dos produtos do ponto de recolhimento até o local deve ser feito por empresa especializada em transporte de carga perigosa.

“Alguns estados brasileiros já colocaram em ação programas de recolhimento de produtos organoclorados. A lógica é basicamente a mesma, o que muda é a responsabilização de quem banca esses programas”, afirma Matheus Mazon Fraga, da Divisão de Fiscalização de Insumos Agrícolas da Cidasc.

Tratamento e destinação final

Produtos tóxicos são classificados como resíduos classe I e requerem tratamento técnico altamente especializado e disposição final adequados, visando a proteção da saúde pública e meio ambiente.

Matheus lembra que cada fabricante deverá destinar o produto para tratamento em incineradores  regulamentados e licenciados junto aos órgãos competentes. Antes do processo de incineração, é preciso que o agrotóxico seja diluído para evitar riscos de acidentes como explosões por produtos inflamáveis. O processo ocorre em incineradores de produtos líquidos que possuem mecanismos e filtros específicos. A fumaça deve ser analisada constantemente para ver se atende os requisitos estabelecidos e se não prejudica a comunidade do entorno entre outras coisas, explica Matheus Fraga, da Cidasc.