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14 de dezembro, 2021 / 11h08 Por Redação

Economia circular

Repensar, respeitar, responsabilizar, recusar, reparar, reduzir, reaproveitar, reciclar, repassar.

Economia circular

A economia circular envolve conceitos como inclusão social, energias renováveis, sustentabilidade e harmonia com a natureza. A proposta busca os “rs” da sustentabilidade: repensar, respeitar, responsabilizar, recusar, reparar, reduzir, reaproveitar, reciclar, repassar.

Ações de economia circular reinventam modos de produção e focam no bem-estar da sociedade, por meio de uma visão holística que engloba natureza e seres humanos. Sua premissa é redução dos impactos negativos decorrentes do modo de produção linear, enraizado na primeira Revolução Industrial, no qual extrair, explorar, transformar e descartar é a única solução vislumbrada.

A sociedade está disposta a mudar

A cada dia surgem novos consumidores conscientes e interessados em adquirir produtos mais saudáveis e melhores para o meio ambiente.

Indústria e consumidores precisam pensar em todo o ciclo de vida do produto: de onde vem, para onde vai ou o que vai gerar depois de descartado, observa Maria Lúcia Bianchi, professora doutora do Departamento de Química da Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais.

Tatiana Assali lembra que “o perfil do consumidor brasileiro privilegia em maior medida o preço e a conveniência do produto, o que pode representar uma barreira para a circularidade. É fundamental que os consumidores também passem por uma mudança de hábitos e repensem sua forma de consumo.”

E como formar consumidores conscientes?

Tatiana Assali sugere que a maneira mais efetiva passa pelo conhecimento e educação, acesso a informações e materiais didáticos que apoiem apostem nas questões socioambientais.

“O desenvolvimento socioeconômico e a redução das desigualdades sociais no Brasil são fatores determinantes para a formação de consumidores mais conscientes e também para o avanço da economia circular.”

A indústria circular pode e deve levar em conta as diferentes realidades locais e regionais, os insumos e recursos existentes na região, por exemplo, e usar o design para otimizar os produtos, que precisam ser projetados desde o início, do berço ao berço, de maneira que todas as etapas de sua vida sejam pensadas de maneira circular, esclarece Tatiana.

Ações sustentáveis visando o bem-estar das pessoas (chave da economia circular) começam a ser uma realidade no Brasil.

A mais recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI, 2020) indicou que 76,4% das 1.261 indústrias pesquisadas desenvolviam algum tipo de economia circular com ações que visam o aumento da vida útil de produtos e a partir do uso mais eficiente de recursos naturais.

A economia circular faz com que as empresas não apenas reduzam custos e perdas produtivas, mas também criem novas fontes de receita, estimula a inserção de matéria-prima secundária nos processos produtivos e fomenta o mercado de troca de resíduos, afirmou Robson Braga de Andrade, presidente da CNI à Agência Brasil. “Parte da indústria brasileira já adota práticas como a reutilização da água, reciclagem de materiais e a logística reversa, mas ainda há muito a ser explorado no uso eficiente de recursos naturais."

Tatiana Assali sugere aos empresários que o primeiro passo para maior circularidade é olhar para seus produtos e processos e entender como reduzir o uso de recursos e a geração de resíduos. O segundo passo envolve a análise e busca por novas soluções e produtos olhando para todo o ciclo de vida. A dificuldade dos empresários em se adaptar às práticas da economia circular passa pelos entraves regulatórios e fiscais que oneram e dificultam a implementação de ações circulares, e pela falta de infraestrutura que possibilite um maior grau de circularidade, frisa Tatiana.

“O mundo ainda está preso ao modelo de produção linear: a imensa quantidade de resíduos, por exemplo, não é uma barreira para a economia circular. É apenas um passivo da lógica linear. Na economia circular não existe a ideia do resíduo, pois os fluxos materiais são mantidos em uso em seu mais alto valor. Tornar o modelo econômico circular não significa lidar com os resíduos, e sim repensar a produção e o consumo de maneira que os resíduos não sejam gerados, ou que possam ser reutilizados no processo produtivo. Da mesma forma, a economia circular pode gerar oportunidades de emprego e renda, e contribuir para recuperação econômica", conclui Tatiana. 

Recentemente, a União Europeia apresentou um pacote de medidas sobre economia circular instigando a busca por soluções inovadoras e atraentes para empresários e consumidores, investindo em alternativas globais alicerçadas na sustentabilidade.

“Um novo modelo econômico requer políticas transformadoras, inovação, acesso a financiamentos, capacidade de assumir riscos, modelos e mercados comerciais novos e sustentáveis”, afirma Marc Palahí, Diretor do Instituto Florestal Europeu, responsável pelo Plano de Ação da União Europeia para a Bioeconomia Circular de Bem-estar.

“A inovação é um elemento-chave para economia circular. Os principais aliados das empresas que buscam a circularidade são a inovação e o design”, ressalta Tatiana Assali, Gerente de Relações Institucionais do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), associação civil sem fins lucrativos, segundo a qual, a economia circular deve movimentar 1 trilhão de dólares mundialmente na próxima década.


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