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02 de junho, 2020 / 04h05 Por Redação

Semana do Meio Ambiente

Conheça iniciativas de preservação e educação ambiental

Semana do Meio Ambiente

Fechar a torneira durante a escovação dos dentes, apagar a luz ao sair de um cômodo, descartar corretamente os resíduos, doar roupas e produtos que já não utiliza.

Para devolver a saúde ao planeta e mantê-lo saudável, são necessários esforços individuais e uma grande movimentação coletiva. As notícias são animadoras: pesquisa realizada pela Ipsos Global Advisor com 14 nações, incluindo o Brasil, revela que as pessoas estão mais preocupadas com a necessidade da preservação ambiental.

  • 32% dos entrevistados considera prioridade lidar com os resíduos produzidos;
  • 79% afirma ter vontade de adquirir produtos mais saudáveis e melhores para o meio ambiente;
  • 52% mostram disposição para comprar itens de segunda mão; 
  • 65% dos entrevistados acreditam que os governos de seus países devem priorizar ações de combate às mudanças climáticas na recuperação econômica pós-Covid-19.

Maria Lúcia Bianchi, professora doutora da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Minas Gerais, reflete: “Quando se fala em consumo consciente devemos pensar em todo o ciclo de vida do que estamos consumindo. Desde de “de onde vem” até “para onde vai” ou “o que vai gerar” depois de descartado. Muitas vezes, não sabemos de que são feitos os produtos que adquirimos, nem como são produzidos, se são biodegradáveis, se geram compostos tóxicos após o descarte ou durante a produção. Assim, é muito importante que o consumidor exija mais informações sobre os produtos que consome, podendo, assim, escolher o mais adequado. É necessário que a legislação proteja mais efetivamente o consumidor e o nosso planeta. Isso força o mercado a oferecer produtos que estejam de acordo com toda essa consciência ecológica de que tanto falamos”, conclui doutora Maria Bianchi.

O conceito moderno de sustentabilidade consiste no padrão de produção e consumo conscientes, considerando o uso racional dos recursos naturais e seu reaproveitamento. A economia circular propõe uma mudança de hábitos de consumo, produção, design, descarte e no modo como interagimos com o planeta terra.

Carina Zagonel, articuladora social e empreendedora criativa, diz que o desafio é lidar com o depois - o pós-consumo. “A economia linear não deu certo (comprar, usar e jogar fora). Os recursos são finitos. As novas economias são um caminho fundamental para a melhoria da qualidade de vida e da sustentabilidade do planeta. A economia circular é uma meio possível, inteligente, coerente para um presente e um futuro mais abundantes. Mais do que nunca, percebemos a urgência em parar de “enterrar” nosso planeta, nosso oceanos, nossas terras, com resíduos provenientes dos hábitos pouco saudáveis de consumo”, reflete Carina.

Na semana do meio ambiente, mostraremos algumas ações pontuais que contribuem para melhorar nossa relação com a natureza e seus recursos. São alternativas interessantes que incentivam a mudança de hábitos e contribuem para a preservação ambiental.

Armário Coletivo Inovação social e sustentabilidade

Carina Zagonel, articuladora social e idealizadora do Armário Coletivo, teve a ideia de criar um movimento social baseado na economia colaborativa, criativa e compartilhada que induz a circulação responsável de produtos que já não usamos mais: peças de roupas, livros, brinquedos, eletrodomésticos e até mudas de plantas.

O Armário Coletivo é um movimento de inovação social e intervenção urbana que utiliza armários físicos em espaços públicos para estimular novos hábitos de consumo. O modelo de compartilhamento iniciou na porta da casa de Carina, em junho 2014, no bairro de Vargem Pequena, norte de Florianópolis, com uma plaquinha feita por Carina: “Deixe aqui o que você não usa mais, mas que pode servir pra outro”.

Passado um ano, um armário abrigava todos objetos lá deixados. Educação ambiental Cada armário traz consigo o viés da economia compartilhada, o cuidado com o meio ambiente e a facilidade de acesso a roupas que não pela via do assistencialismo. O movimento, indiretamente, contribui para a redução da quantidade de resíduos gerados com a produção de mercadorias. Os próprios armários são construídos a partir de materiais coletados nas ruas e produzidos com a ajuda da comunidade. Envolve arte, educação e estimula a cultura do compartilhamento.

O movimento cresceu e ganhou colaboradores. A prática da economia compartilhada permitiu a compreensão sobre como um objeto que já não lhe serve pode ser reutilizado por outros. Hoje, são 14 Armários em Florianópolis e um em Curitiba.

Os coordenadores do projeto estimam que mais de 400 mil peças de roupas foram compartilhadas. Impactos do compartilhamento Carina Zagonel, gestora do projeto, comenta que é interessante observar o processo de conscientização quando um Armário é inserido num bairro, por exemplo. Primeiro, há o estranhamento, a negação e depois a adesão. A iniciativa de deixar roupas e objetos e a conscientização quanto ao zelo do espaço fazem parte da evolução cultural e das mudanças de hábito.

Depois de cinco anos de projeto, a tendência é que vá se aprimorando, ressalta Carina. O projeto também é desenvolvido dentro de empresas. A equipe do Armário permanece um ano trabalhando a ideia no ecossistema institucional. Os próprios colaboradores das empresas têm muito a compartilhar. As experiências mostram que a motivação cresce quando se percebe a economia financeira e o impacto no meio ambiente. “O Armário impacta nas vida das pessoas e oportuniza aos mais necessitados escolher o que lhes faz sentido. É uma vasta fonte de pesquisa na área comportamental”, enfatiza Carina Zagonel.


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